Há coisas que só o tempo nos ensina…

Ficar não é amar: tudo o que (não) devemos aceitar num relacionamento

Há coisas que só percebemos tarde demais...
Crescemos a acreditar que amar é ficar. Que, se sentimos o suficiente, então vale a pena insistir, esperar e aguentar. Como se o amor, por si só, tivesse força para resolver tudo.
Mas ninguém nos ensina a diferença entre amar alguém… e perdermo-nos por alguém.
E é aí que tudo começa a confundir-se.
Porque um relacionamento não é só gostar. Não é só sentir. Não é só ter alguém.
Um relacionamento é um espaço onde duas pessoas escolhem estar, todos os dias, sem deixarem de ser quem são.
E, por muito difícil que seja admitir, o amor sozinho não chega. Aliás, única chegou...


✨ O que é, afinal, um relacionamento?

Um relacionamento saudável não é dependência. Não é precisar do outro para estar bem. Não é viver em função de alguém.
É partilha. É equilíbrio. É escolha.
É ter alguém ao nosso lado, não alguém que nos complete, mas alguém que acrescenta.
Porque não somos metades à procura de outra metade, somos pessoas inteiras à procura de algo que faça sentido e que nos acrescenta algo.
Num relacionamento, o “nós” nunca deve apagar o “eu”.
E esse “nós” só funciona quando não exige que deixemos partes de nós para trás.
Também é importante dizer isto, mesmo que nem sempre seja confortável: um relacionamento não serve para nos curar. Não é o outro que resolve inseguranças antigas, medos ou vazios emocionais. Quando esperamos isso, acabamos por colocar um peso demasiado grande em algo que devia ser leve.

🤍 O que deve existir (mesmo quando ninguém está a ver)

Há coisas que não são opcionais. Não são extras. São a base.
  • Respeito — na forma como se fala, como se ouve e como se reage, mesmo nos momentos de maior tensão.
  • Comunicação — não precisa de ser perfeita, mas deve ser honesta. Não guardar tudo até "arrebentar".
  • Confiança — aquela tranquilidade de não viver em dúvida constante.
  • Segurança emocional — saber que podemos ser vulneráveis e não ter medo de que isso seja usado contra nós.
  • Apoio — alguém que está presente, não só quando é fácil, mas sobretudo quando é preciso.
  • Liberdade — porque amar não é prender, é permitir.
  • Reciprocidade — não pode ser sempre um a dar e outro a receber; o esforço tem de ser partilhado.
Um relacionamento saudável não é perfeito. Mas é consistente, e isso faz toda a diferença.

⚠️ O que vamos tolerando (sem quase dar conta)

A verdade é que raramente tudo é mau logo no início.
As coisas vão acontecendo devagar. Pequenas atitudes que desvalorizamos. Situações que justificamos. Silêncios que ignoramos.
Dizemos a nós próprios:
“É só uma fase.”
“Ele/a é assim.”
“Não foi por mal.”
"Ele/a vai mudar"
E, sem percebermos, começamos a aceitar menos do que aquilo que merecemos.
- Toleramos a falta de consistência.
- A ausência de esforço.
- As respostas frias.
- Os comentários que magoam, mas vêm “em tom de brincadeira”.
- As promessas que ficam sempre por cumprir.
E o mais silencioso de tudo: começamos a duvidar de nós.
A achar que estamos a exagerar. A "encolher" para caber numa relação que já não nos faz bem.

🚫 O que nunca deve ser normalizado

Há coisas que não são “fases”. Não são "feitios”. Não são “problemas passageiros”. São sinais.
- Falta de respeito constante.
- Manipulação emocional, quando nos fazem sentir culpados por tudo.
- Controlo disfarçado de preocupação.
- Desvalorização dos nossos sentimentos.
- Incapacidade de assumir erros.
- Qualquer forma de abuso: emocional, psicológico ou físico.
E há algo que também precisa de ser dito, porque muitas vezes passa despercebido:
- Amor não é compensação com coisas materiais.
Não são presentes constantes para tapar ausências. Não é oferecer algo depois de magoar, como se isso apagasse o que aconteceu. Não é “marcar presença” com bens, quando falta presença emocional.
Porque estar numa relação não é receber coisas, é sentir o outro.
É atenção, é cuidado, é consistência.
Nada disto é amor, mesmo que venha acompanhado de palavras bonitas ou gestos pontuais.
- Amor não nos deve fazer sentir pequenos.
- Não nos deve deixar inseguros.
- Não nos deve fazer questionar o nosso valor.
- E muito menos deve fazer-nos aceitar migalhas disfarçadas de esforço.

🧠 Porque é que, mesmo assim, ficamos?

  • Porque gostamos.
  • Porque acreditamos que vai mudar.
  • Porque temos medo de começar de novo.
  • Porque já investimos tanto.
  • Porque nos habituámos.
  • Mas ficar não é, necessariamente, amar. Às vezes, ficar é só não conseguir ir embora. E há uma diferença enorme entre as duas coisas.

🌱 Amar alguém não pode significar perder-nos
  • Amar alguém é escolher, mas também é saber escolher-nos.
  • É sentir paz mais vezes do que ansiedade.
  • É não ter medo de falar.
  • É não ter de pedir o básico.
  • É não viver à espera que o outro seja aquilo que nunca mostrou ser.
  • E talvez a parte mais difícil, mas mais necessária, seja esta: às vezes, amar também é ir embora.
  • Porque um relacionamento deve acrescentar. Deve expandir-nos. Deve fazer-nos sentir mais nós... não menos.

No meio de tudo isto, talvez a única pergunta que realmente importa seja:

“Isto faz-me bem… ou estou só a aprender a viver com menos do que mereço?”

E tu?
Já aceitaste coisas que hoje sabes que nunca devias ter tolerado?
Às vezes só percebemos tarde... mas perceber já é um começo.


Com carinho,

                Little Bella 



Comentários

  1. Um post muito necessário! É importante perceber que se uma frelação nos nos faz bem, não devemos estar nela!

    Bjxxx,
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  2. Olá, Bella.
    Esse post é um alerta para não vivermos relacionamentos tóxicos. Muitas vezes estamos tão envolvidas com as pessoas que não percebemos que aquela crítica da roupa curta, ou maquiagem, até mesmo ciúmes excessivo são sinais de algo não vai bem.
    Temos que ter ao nosso lado pessoas que nos acrescentem a ser melhores a cada dia, baseados na confiança, respeito e lealdade.
    beijos,
    Lulu on the sky

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  3. Sem dúvida uma leitura que mexe connosco. Fez-me pensar em coisas que muitas vezes vejo como normais, mas que talvez não o sejam. Muitas vezes ficamos presos não pelo amor, mas pelo medo da mudança ou pelo receio de magoar quem está connosco.

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